25 setembro 2010

Conhecendo Minha Boneca


Aconteceu em 27 de maio de 2006. Eu não podia estar mais calma. O parto estava marcado para às 13:00, por isso, como minha mãe estaria trabalhando, fiquei acompanhada pela Fernanda e pela Núbia.
Enquanto elas almoçavam, aproveitem para relaxar. Ouvi algumas músicas, coloquei a minha vida e a vida do bebê nas mãos de Deus, e não poderia estar mais serena.

Lembro de muito pouco do que aconteceu na sala de cirurgia. No entanto, com muita nitidez, me lembro de ouvir minha filha chorar e de querer chorar junto com ela.

Pedi para vê-la, para carregá-la um pouquinho, mas não deixaram.
Quando cheguei no apartamento do hospital, ela já estava lá me esperando. Estava nos braços da tia Nanda. E essa, por sua vez, estava com os olhos cheios, transbordantes, de lágrimas.
Aliás, estavam todas do mesmo jeito; Nanda, Núbia, Chris e eu, claro!
Me deitaram na cama e só então pude vê-la.
Finalmente.
Minha filha.
E meu Deus, como ela era linda!
Perfeita!
Eu sei que toda criança nasce enrugadinha e com carinha de joelho, mas posso jurar por qualquer coisa que minha filha não era assim.
Ela era branquinha, tinha as bochechinhas rosadas e uma boquinha vermelha pequenininha e em formato de coração. Parecia uma bonequinha de porcelana.
Fiquei olhando maravilhada aquele serzinho alojado no meu braço por vários minutos. Achava incrível que toda aquela perfeição tivesse se formado e crescido dentro de mim.
Como Deus é perfeito!
Como sua criação é perfeita!
Depois de amamentar pela primeira vez, dormimos. Eu e ela. E, ao acordar, descobrimos nosso quarto cheio de visitas; vovó Pé, tio Heide, tia Taty, vovó Maria, vovô Carlos, alguém de quem não me lembro o nome e o papai. O dela, já que o meu não gosta muito dessa coisa de hospital.
Como eu fiquei feliz em vê-lo ali. Na pior das hipóteses minha filha teria o nome do pai na certidão de nascimento. Mas ele me deu mais. Muito mais. Ele me deu esperanças. Esperanças de que um dia pudéssemos formar uma família.
Pude ver nos olhos dele que ele estava feliz. Que, mesmo não tendo acompanhado a gravidez de perto, ele já amava aquela criança.
Como diz minha mãe, uma mulher se torna mãe no momento em que descobre que está grávida. Um homem, no entanto, só se torna pai quando carrega seu filho nos braços pela primeira vez.
Foi mais ou menos isso que aconteceu.
Ele ficou tão apaixonado, tão fascinado por aquela criança que ficou com a gente no hospital até de madrugada. Ele não queria partir de jeito nenhum e acho que, se não fosse extremamente necessário, ele não teria ido.
Não recordo quem dormiu comigo e com a Bia naquela noite, mas lembro perfeitamente da paz que me inundava.
Sentia-me, literalmente, completamente iluminada, abençoada até o último fio de cabelo.
Inteiramente feliz.

4 comentários:

  1. Acho que fui eu que dormi - ou não muito, com vocês naquela noite... que até tiramos aquela foto na saída do hospital, eu, você e a Bia. Lembra?!

    Enfim...

    Quanta emoção lembrar do nascimento da nossa princesa... ela realmente foi um bebê lindo.

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  2. É verdade! Foi você!
    Pense numa noite mal-dormida. Eu me sentia um caco completo. Não podia me mexer, nem levantar a cabeça. Fiquei morrendo de frio devido a uma reação a anestesia, a boca toda ressecada, o cabelo todo desgrenhado, fazendo xixi pela sonda...
    Ai, não! Ninguém merece, viu?
    E o pior é que apesar de todo isso, eu não poderia ter me sentido mais feliz. Se precisasse, faria tudo de novo!
    Ooooops! Acho que já fiz, né? Com o Lelê.... Rsrsrsrs...

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  3. Obs: Eu estava lá também viu? Inclusive ajudei a enfermeira a te botar na cama e ganhei inteiramente grátis um banho de sangue. ECA!

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  4. Meu Deus!!! É verdade!!! Como eu pude me esquecer disso?!? Sua cara de nojo foi impagável! Huahuahuahua

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